Sábado, 8 de Março de 2008

Só faltava a maleta

Confesso que ver uma abelha processando a humanidade por explorar sua espécie e roubar sua produção de mel (!) não estava muito nos meus planos quando decidi assistir o simpático filme Bee movie, nova animação da Dreamworks (que só agora fui assistir). Quase sempre a experiência de ir ao cinema com um monte de monstrinhos, digo, criancinhas, ao meu redor gritando, chorando ou rindo sem parar, é bastante constrangedora, por isso comecei a aderir ao cinema em casa, e bem escondido. Mas, firme em meus princípios, insisto em dizer: animações são feitas por adultos para adultos, não para crianças! acabo me sentindo um público não-alvo renegado (é como aqueles brindes do Mac Donnalds: se eu achar legal o boneco de personagem de animação que lançaram, o jeito é me segurar, e morrer de inveja do priminho pequeno que pôde comprar o tal do lanche feliz - ora, quanto preconceito! eu bem que não acharia mau um papa-léguas enfeitando meu quarto).
A abelha revolucionária é Barry, uma simples operária com uma visão diferente do mundo - não quer ter seu destino marcado pelo ostracismo monótono, típico das sessenta mil abelhas que vivem na colméia, executando o mesmo serviço para o resto de sua vida - o que a impulsiona a buscar novos ares (literalmente). Longe dali, descobre todo o processo de polinização feito pelas abelhas coletoras (mostradas como "soldados de guerra", orgulho da colméia) e, sem querer, acaba no apartamento de uma florista apaixonada pela natureza. Às voltas com seu dilema de ter de retornar e escolher sua função na colônia, Barry decide processar a humanidade (com a ajuda da floricultora) após visitar uma fazenda de apicultura e se condoer do sofrimento de suas amigas, que vivem enclausuradas em caixas, obrigadas a produzir mel em larga escala e artificialmente (pausa de sobriedade: ver a floricultora colocando o envelope com a petição inicial de uma abelha na caixa do correio, direcionada à Corte foi, no mínimo, delirante).
Após tanto conflito, a produção de mel fica estagnada, já que a humanidade é obrigada a devolver às colméias todo o mel fabricado, inclusive aqueles colocados nas prateleiras dos supermercados. O que no início parecia um sonho, vira pesadelo. O ócio das abelhas acaba por deixá-las deprimidas, desmotivadas, afinal, o sentido de sua existência justificava-se pelo trabalho árduo e disciplina (pausa de sobriedade: uma abelinha entediada joga paciência no computador, e as cartinhas são todas em formato hexagonal). Além do mais, Barry percebe que todas as árvores dos parques e florestas começam a secar e morrer, já que não há mais polinização. Ao perceber a subversão do equilíbrio da natureza e, no intuito de consertar os efeitos de seu momento de epifania, a super-abelha consegue um desfecho feliz para o destino de suas companheiras, fazendo com que a polinizadação das flores volte a acontecer - um final feliz para a humanidade e para as abelhinhas workaholics.
Mais certo, agora, sobre seu verdadeiro destino, só resta uma opção ao antes perdido e desolado Barry: juntar-se à amada (humana) e abrir uma acessoria jurídica para animais dentro de sua floricultura. Fruto de uma visão além do óbvio, nasce uma abelha advogada.
Dentro de um universo todo jurídico, de reflexões sobre aquilo que é justo e o que não é, a animação tem um desfecho curioso, que demonstra as inúmeras necessidades e insatisfações das pessoas (ou insetos) no que diz respeito às condições de trabalho, daquilo que deve ser mudado para que se mantenha a auto-estima e a saúde emocional no desempenho de funções durante uma vida inteira. A última cena mostra, com muito humor, a ajuda da bee-lawyer em seu escritório a uma vaca triste:
- "
Leite, creme, queijo, tudo eu. E não vejo uma moeda! Sabe, às vezes eu me sinto um pedaço de carne."
Ao ter de sair, Barry deixa sua cliente aos cuidados de seu sócio (um mosquito que conheceu no pára-brisas de um carro), e a vaca, preocupada, pergunta: você também é advogado? Sem delongas, o mosquito responde:
- "
Olha, sempre fui um parasita chupa-sangue... só me faltava a maleta!".
Certo, certo, sem comentários (e muitos, muitos risos).


Paralelo surreal com a realidade:

- O final da abelha é a advocacia. Pessoas que querem mudar o mundo viram juristas?

- O princípio do contraditório foi muito bem demonstrado no decorrer das audiências. Fatos foram bem colocados, pelas duas partes, e ambas foram ouvidas no momento certo. Mas a abelha teve de recorrer a um último requisito para convencer a juíza: o fundamento jurídico, crucial para que se ganhe uma ação. Foi quando lembrou-se de que abelhas não fumam, mas estavam sendo forçadamente viciadas à uma máquina de fumo (trata-se do fumegador, utilizado pelos apicultores no momento da inspeção das abelhas; a fumaça as deixa mais "calmas" e a possibilidade de ferroarem é menor). Ponto para a abelha, e sentença favorável a sua classe.

- É uma pena que as árvores não possam estar em juízo, afinal, não faltaria a elas interesse de agir, possibilidade jurídica do pedido e legitimidade para propor a ação contra a humanidade.

- Minha visão sobre as abelhas mudou muito depois de assistir esse filme, mas espero não chegar ao ponto de tentar conversar com elas :). E nem contar com a possibilidade de, um dia, atuar num processo no qual a parte contrária sejam insetos tentando dizer a nós, humanos, o quanto somos estúpidos.

Domingo, 17 de Fevereiro de 2008

Que há num nome?

Há algo de malcheiroso no reino dos sabões em pó. Sim, um reino! Onde o rei é o Omo, todos sabemos, e o resto é a plebe rude e suja escorregando no próprio sabão. O mercado de sabões em pó no Brasil é dominado pela Unilever (65%), sendo o restante meio que disputado à tapas pelas empresas menores. Nunca procurei me interar muito de assuntos de marketing, consumo de marcas, mercado de luxo etc. Mas é inexorável a presença deles em nossas vidas, afinal, somos bombardeados por propagandas diariamente, consumimos, inevitavelmente, todos os dias - ainda que sem sair de casa - só que muitas vezes acabamos não nos dando conta da importância das marcas em nossas vidas: elas ultrapassam o conceito físico, se inserem no cotidiano de forma simbólica: o valor de uma marca muitas vezes supera o valor do patrimônio da empresa, um valor alto criado pelo próprio consumidor, através de seu comportamento de consumo, pelo qual, ao final de tudo, acaba tendo de pagar. Citar isso num post é como falar de uma gotinha d'água na imensidão do mar, no tocante à publicidade e propaganda: o estudo do ingrediente humano na receita de sucesso das grandes marcas é antigo. Perceber nossas necessidades, estudar nosso comportamento, definir parâmetros de consumo para cada camada social, criar uma espécie de mapa psicológico que verifique nossas necessidades - das mais óbvias às mais íntimas e latentes - são práticas comuns no mundo do marketing, um mundo onde se é observado a cada momento. Por detrás do simples ato de escolher um produto, manipulá-lo sem o compromisso de compra, há muito mais do que se pode enxergar superficialmente, numa simples passada de olhos: nos supermercados, nas lojas, nos restaurantes, aquilo que consumimos diz muito, ou tudo, do que somos e queremos para nossa vida. Escolher é criar sua própria identidade alheia (mas escolha nem sempre é viável: muitas vezes, nos vemos presos às grandes marcas por falta de concorrência à altura; ou, se há concorrência, os estabelecimentos dão preferência às "famosas" em detrimento das outras, pouco conhecidas). Não raro, o consumo se baseia na idéia de surgimento do novo, de reciclagem, da sensação de descarte do obsoleto e advento do atual - o que acaba por gerar um paradoxo um tanto quanto esquisito: estar com o novo e querer algo ainda mais novo não é, ao mesmo tempo, acumular cada vez mais coisas velhas ao seu redor? Isto remete a um capítulo apocalíptico do livro As cidade Invisíveis, de Ítalo Calvino . Lá, Ítalo nos faz uma proposta sutil de viajar pelas idiossincasias do país de Leônia:
" [...] a opulência de Leônia se mede pelas coisas que todos os dias são jogadas fora para dar lugar às novas. Tanto que se pergunta se a verdadeira paixão de Leônia é de fato, como dizem, o prazer das coisas novas e diferentes, e não o ato de expelir, de afastar de si, expurgar uma impureza recorrente. O certo é que os lixeiros são acolhidos como anjos e a sua tarefa de remover os restos da existência do dia anterior é circundada de um respeito silencioso, como um rito que inspira a devoção, ou talvez apenas porque, uma vez que as coisas são jogadas fora, ninguém mais quer pensar nelas." p.139
Fica difícil respeitar o limite ou liame sutil que liga e separa, ao mesmo tempo, a futilidade da utilidade, a necessidade real de consumo da vontade de consumir. São conceitos relativos, dependente de fatores diversos, instrínsecos a cada um, e, todos sabemos, a medida do remédio e do veneno somos nós mesmos quem dosamos.
Após uma volta toda em torno de um assunto nada parecido com a frase com que comecei o post, volto, então, ao sabões, e me explico: passando pelo corredor de um supermercado, ontem, me chamam a atenção para um produto na prateleira, momento no qual páro e volto meu olhar: uma caixinha de sabão em pó com o nome, nada mais, nada menos, de Revel (aqui caberia uma daquelas carinhas/emoticons de olhinhos esbugalhados de pavor). Por um momento me veio à cabeça: será que apenas 1 semana de aula, após um longo período relaxado de férias, bastou para me fazer ver coisas jurídicas até em embalagens de produtos? Estarei lendo coisas? Estarei sofrendo uma overdose de informações jurídicas, daí um surto de visões imaginárias? Enquanto isso, a pessoa que me mostrou o produto dava risadas e fazia piadas do tipo: eis um indivíduo-sabão que não constestou a Ação proposta contra sua pessoa ensaboada, o que acabou por se fazer refutar verdadeiros os fatos afirmados pelo autor. Sabão burro e rebelde, esse, hã, hã? Piada de quem já fez direito, é claro.
Vamos pensar um pouco (frase nostálgica de telecurso 2000 da Globo passando às 5 da manhã!): propaganda é a alma do negócio, pois no nosso peito bate um alvo muito fácil, certo? Sim. Então, pergunta: o que leva uma empresa a colocar um nome tão...tão... incompatível, pra não dizer nonsense, num sabão em pó? Revel vem de termo jurídico. Que tal as coisas em seus devidos lugares? Enfim, após ter percebido já uma certa tendência em nomes estranhos para essa categoria de produtos, fui pesquisar sobre o dito cujo e acabei descobrindo que o sabão brigou na justiça contra o grandalhão - Unilever (sim! aquele que domina as paradas e que, por sinal, é pai de Omo, o Grande), mas que, enfim, já entraram num acordo, e agora são bons amigos. Acabei fazendo uma lista de alguns sabões em pó e uma breve análise de seus nomes (bizarros).
Ariel: é a pequena sereia, não há outra explicação. Tem a ver com o fundo do mar e... o que tem a ver o mar com o sabão em pó? Bem, não sei. Talvez as espumas...

Assim: Assim, tipo... assim! Entendeu? Homenagem aos paulistanos, meu, tipo assim.
Luz Vel: Luz é luz e vel é vel. Pra quê juntar os dois? As palavras já não têm nada a ver entre si, e eles ainda as colocam juntas num sabão em pó? Já sei: velocidade da luz! Yes!
Pop: Aquilo que é popular. A música pode ser pop, o carro pode ser pop, o filme pode ser pop, até o Papa é pop! agora... sabão em pop? Poxa, não exageremos, por favor.
Surf: O mar de novo. Gostam de relacionar o sabão com o mar, né? Sei lá, já que é para falar de água, por que não colocam Tietê? Ele sim remete à necessidade de limpeza!
Tide: Apelido de quem se chama Aristides. Essa eu acertei sem pensar duas vezes, vai!
Tixan: Hummm...deixe-me pensar mais um pouco...Titãs...guerra de Tixãns?
Omo: Fazem piadinhas sobre a opção sexual deste sabão em pó.
Revel: O famigerado! Aquele que não comparece em juízo para se defender das acusaçãoes. Eis o sabão em pó mais em sujos, digo, maus lençóis que já vimos antes. Entendeu o trocadilho?

Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

Aprendendo a ser consumidor (ou) Dicas batutas para uma geladeira nova

Minha mãe comprou uma geladeira. Comprar um produto novo sempre traz uma sensação boa de novos ares adentrando a casa. A gente fica um bom tempo com aquela cara de bobo, olhando para uma coisa brilhante no canto do cômodo, hipnotizados, como que se o resto da casa não existesse por uns alguns dias. É claro que, dizendo isso, pressupus que ao comprar o produto novo você agiu de livre e espontânea vontade - ignoremos fatores externos: jogadas de marketing indutivas e controladoras, mil e uma propagandas feitas em cima daquilo, o vendedor tentando te persuadir irritantemente, preço dividido em suaves parcelas de uma vida inteira, bancos facilitando com cartões de crédito (que pulam feito pulguinhas na nossa carteira quando saímos de casa, né?) e, claro, a possível necessidade que fizeram você acreditar que existia de adquirir o produto, seja ela física ou psicológica, real ou emocional - enfim, ignoremos tudo: você quis o produto, você adquiriu o produto. Houve uma época em que o Código de Defesa do Consumidor não existia. A relação existente entre fornecedor e consumidor era tão "harmoniosa" que colocava-se em patamares mais ou menos assim: o mercado existe, você compra. O mercado continua existindo, você não existe mais para ele - principalmente se estiver com problemas com aquele serviço ou produto que adquiriu - o mercado não se preocupa com você, no máximo com os impostos devidos ao Estado ou com a concorrência. Ou seja, o consumidor servia para consumir e voltar a consumir depois, nada mais. O Estado não tutelava possíveis danos sofridos pela parte mais fraca e vulnerável por conta de práticas abusivas. Hoje temos ao nosso lado, além de um código específico para a proteção ao consumidor (que não só pune atos ilícitos cometidos pelo fornecedor, mas conscientiza e estabelce normas e condutas desejáveis a ambos) - também a bela jurisprudência, que exerce papel fundamental ao transformar leis frias e secas em casos práticos de justiça consumada (senti até um frescor!) depurando os textos e adaptando-os à realidade social em constante mudança - digamos que é ela um direito (iuris) prudente e sábio (prudentia). O objetivo de respeito à nossa dignidade, saúde, segurança, qualidade de vida, necessidades, pode até ter sido atingido (em partes) em 18 anos de proteção, mas ainda deixa muito a desejar, posto que é o consumidor quem tem de correr atrás do prejuízo, enquanto o fornecedor lesa milhares de pessoas que não sabem se defender pelo simples fato de não conhecerem seus direitos. Não estou falando de velhinhos, falo de mim mesma, até. Em 1 ano tive experiências inesquecíveis, como consumidora, com relação a produtos que adquirimos e poucos meses depois nos deixaram com dor de cabeça. Vamos a elas:

- em janeiro de 2007 compramos uma TV philco 29''. 10 ou 11 meses depois, a tv acordou sem vontade de ligar. contatamos a loja - Americanas - e contamos do defeito, eles de pronto se dispuseram a pegar a tv doente e entregar uma novinha em folha no lugar. só não esperávamos que, ao chegar lá, nos entregariam uma outra tv, da mesma marca e mesmas configurações, só que modelo mais novo. aceitamos felizes, afinal, modelo mais novo, né? engano nosso. apesar de mais nova, a tv tinha imagem e som piores que a antiguinha. minha mãe odiou. foi aí que ligamos de volta, explicando o fato. resposta: podemos mandar arrumar aquela, que tal? nada disso, queremos uma outra igual e novinha em folha, oras! resultado = quase 1 mês depois, após ligações e mais ligações, fomos ao PROCON e nos informamos. eles eram obrigados a: 1) entregar uma tv nova e em perfeitas condições idêntica a que havíamos escolhido 1 ano antes ou 2) devolver o dinheiro. conversa vai, conversa vem, a loja nos ofereceu o seguinte: dali mais 1 semana chegaria um Philips tela plana de mesmo valor da nossa. topamos. esperamos. hoje temos uma tela plana. o detalhe é que a nossa antiga era semi-plana. Yes. há males que vêm para bens :D

- no meio do ano de 2007 comprei uma câmera digital, samsung s630. 2 meses depois, a lente dela entortou e travou. não sei ao certo o que houve, mas foi algo bizarro: eu tirava fotos quando a pilha descarregou. normalmente, nas câmeras, há um dispositivo que faz com que, automaticamente, a lente se recolha quando falta energia. não foi o caso. alguns dias andando com a câmera (com a lente metade pra fora) dentro da bolsa, eis que tiro da capinha e a lente está torta. insiro pilhas carregadas: nada. só um barulho de pi-pi-pi e desliga sozinha. lente não se mexe. mando um e-mail para a pessoa que me vendeu pelo mercado livre. diz pra eu enviar a câmera de volta, mas que provavelmente aquilo que eu tinha feito não seria coberto pela assistência técnica (!) detalhe: a assistência técnica daqui de Franca me havia cobrado inicialmente R$100,00 só para abrir a máquina. caso fosse caso de troca de uma tal peça tambor, seriam mais 100. ótimo. caio na besteira de, antes de enviar a câmera, pedir para alguém que mexe com isso e talvez consiga abrir (sabe aqueles ataques de bobeira? então!) tentar destravar a lente pra mim; apesar da boa vontade, a pessoa não consegue. pior de tudo? perdi o selo de garantia, um selinho que fica grudado em partes estratégicas que, se rasurado, acusa a perda de garantia. resultado de tudo= quase 1 mês depois de enviar a câmera, quase 3 e-mails por semana cobrando uma solução, recebo uma proposta: mais R$ 70,00 e enviamos uma nova, em vez de consertar a sua (caso em que teria que pagar de 100 a 120,00). topo, queria mais era a minha câmera, poxa. recebo e vivo feliz. não procurei o PROCON, e não sei o que eles diriam do fato.

- minha mãe chega em casa em total desespero. pergunto o que houve, ela me responde mostrando o extrato de sua conta corrente no Bradesco. vários saques feitos num só dia, de valores muito além do permitido pelo seu limite. um empréstimo pessoal de R$ 800,00. um caos total, uma conta antes organizadinha completamente desfigurada. era uma sexta-feira, teve de sacar dinheiro em outra conta pra passar o final de semana, que, por sinal, foi inteiramente transtornado por conta disso. pesquisa aqui, pesquisa ali, percebemos que talvez o cartão tivesse sido clonado. somos aconselhadas por uma amiga advogada a, antes de fazer um Boletim de Ocorrência, esperar até segunda para ir à agência comunicar o caso. resultado= dinheiro extornado, tentativa de localizar a origem dos saques, mil pedidos de desculpas etc. detalhe: muito mais de 1 semana depois é que a conta foi normalizada, não sei como. não fomos ao PROCON, mas deveríamos ter feito. :(

- compro um sapato. experimento na loja: cor linda, modelo lindo, do jeito que eu procurava. é claro que não vou andar a loja inteira para averiguar sua confortabilidade. na medida do razoável, vejo que é confortável, nem é de salto nem nada, nem fino, nem de festa. perfeito para poder passar algumas horas em pé com ele, certo? errado. dia seguinte, coloco o sapato e vou para o estágio. chego lá mancando. tento disfarçar para que ninguém perceba, mas ele me machuca demais. chego em casa, tiro, e vejo meu pé sangrar na parte de trás por conta de um ferimento. até o couro do sapato, por dentro, está com sangue. fico perplexa e triste. volto na loja no fim da semana, sem perceber falo com a própria gerente. explico a situação, ela diz: não podemos fazer nada por você, está usado. você escolheu, experimentou, não é defeito de fabricação e, além do mais, esse sapato veio do Rio Grande do Sul (e eu com isso?). olho bem pra ela e digo: "olha, bem, eu não estou querendo trocar o sapato por birra ou vaidade. o fato é que se eu não tivesse usado o sapato, jamais descobriria que ele poderia me machucar! não dá, simplesmente, entende?" a o que, ela responde "ah, mas é normal, daqui uns dias laceia. porque não tenta guardar e ir usando aos poucos? aí talvez não machuque tanto". (juro que foi muita sorte minha mãe estar junto comigo, porque abriria uma grande discussão com aquele ser desprezível). só virei e perguntei se essa era sua reposta final, ela disse que sim. já vacinadas depois de tantos problemas com produtos adquiridos, não pensamos duas vezes. fomos ao PROCON. já lá, o senhor nos atendeu super simpático. expus os fatos. mostrei a prova - band-aids nos dois tornozelos, sangue no couro - ele procura na lista o telefone da loja e liga para a gerente. diz para ela que eles têm 30 dias para mandar de volta para os fabricantes relatando o acontecido, tendo eles de apresentar uma espécie de laudo demonstrando que o sapato é confortável sim, que não é duro e sem proteção, que os machucados foram coisa da minha imaginação etc. a gerente, muchinha, diz pra eu levar o sapato lá. chegamos na loja e encontramos alguém vermelha de raiva, soltando fogo pelas ventas, mas com uma eduação que não havíamos experimentado da primeira vez (por que será, né?!) e, alguns dias depois, recebo uma ligação no celular dizendo que posso ir lá trocar por um sapato de mesmo valor, de minha preferência. escolho outro (que até hoje nunca me fez sangrar) e tudo acaba bem.

Não entendo a relutância dos fornecedores em cumprir a lei e agir de boa-fé. Mas é, de fato, uma forma de te fazer desistir após uma longa argumentação de que a culpa não é deles. Mas, afinal, se a culpa não é deles, de quem é? Concluo que a culpa acaba sendo nossa, sim, a partir do momento em que não nos mexemos, não vamos à luta, não botamos a boca no trombone. Além desses casos que contei, vários outros aconteceram e acontecem todos os dias. Uma simples saída de casa para comer pode fazer com que sejamos lesados e, se agirmos como clientes chatos, talvez as coisas comecem a mudar: dar uma olhadinha mais atenta no que mostra o cardápio do restaurante e no que, de fato, é servido (uma vez questionei o gerente do Habib's sobre o tamanho real do copo de capuccino que eles oferecem - uma merreca, cheia de chantilly e nada de líquido - e a foto ilustrativa do cardápio: quase uma página inteira de uma taça ampliadérrima! ele disse que o cardápio já vem pronto para eles (que são uma franquia) mas que poderia, sim, sugerir uma maior compatibilidade (!) entre foto e produto. É claro que ele não ia sugerir nada. Mas, pelo menos, desabafei. Tudo bem, não precisamos chegar ao ponto de pegar uma câmera e filmar um documentário sobre os males que pode trazer à saúde um regime feito unicamente de produtos do McDonald’s, todas as 3 refeições diárias principais, durante 1 mês, por exemplo (foi o que fez Morgan Spurlock, em Super Size Me, que conseguiu abalar a inabalável rede de fast-foods - pouco tempo depois de ter saído o documentário houve uma milagrosa política de "comida saudável" com maçãs e águas-de-côco com selinhos Mc, tabelas nutricionais coladas por todos os lados etc). Mas tenhamos a seguinte consciência: basta estar vivo para ser consumidor.

- junto com a geladeira, veio um papelzinho informativo tão engraçadinho que não pude deixar de tirar fotos e colocar aqui :) não sei o que acho mais engraçado: as carinhas felizes e tristes ao mostrarem o que pode e o que não pode ser feito, a carinha da mulherzinha desenhada prendendo o nariz, a idéia de uma geladeira que deve se manter sempre com os pés no chão (não pode sonhar?) a idéia de uma geladeira que transpira, os bbrrrr, ssssssss, placsss dos ruídos "normais" que podem vir dela, os pés-de-meia atrás do motor, ou o aviso singelo dizendo que as fotos são meramente ilustrativas - nunca entendo o que querem dizer com isso, eu jamais acreditaria que elas são reais... :P

Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008

Humanidade para com os outros

O título deste post é o significado para o nome Ubuntu (lê-se "u-bún-tu"), distro do sistema operacional Linux, concorrente do nosso queridinho Windows, já tão difundido no mundo inteiro pelos bobões, digo, pelos "fodões" da Microsoft. É um sistema operacional que qualquer pessoa pode utilizar - ou seja, independente de pagamento de valores exorbitantes ou conexão com a internet, a pessoa consegue uma cópia com quem já tenha ou pede e recebe pelo correio um CDzinho de instalação, sem despesas. Trata-se de um software totalmente gratuito - sua utilização independe de pagamento de licença de uso - e livre (ou open source - código aberto, podendo ser modificado e redistribuído por qualquer usuário, um novo problema - ou solução - para a questão do direito autoral) sendo a lógica de tudo justamente a liberdade. Com aplicações similares aos do Windows - há correspondentes para quase tudo, as chamadas alternativas Open Source - o Oppen Oficce para o MS Office (Writer para o nosso amado Word), o GIMP para o editor de fotos (muito parecido com o Photoshop), Totem para o Media player, K3B para os que se agradam com o Nero burn, Pidgin (uma pombinha simpática) para o Msn messenger, gTorrent para o bittorrent, FileRoller para o winrar, Evince como vizualisador de PDFs e muitos outros - os programinhas conseguem nos apetecer muito bem. No Ubuntu o navegador padrão fica por conta do Firefox, bem como o ambiente gráfico, do Gnome.

Filosofia que não é conto de fadas

A filosofia da "liberdade", que pregam os idealizadores, não é apenas a liberdade financeira. Ao contrário, o valor monetário aparece em segundo plano, pois, apesar da promessa ser a de que jamais cobrarão pelo Ubuntu, a principal meta é garantir a liberdade para que qualquer pessoa possa utilizar livremente os programas de que necessitar, estudar e entender o seu funcionamento, e assim se tornar mais um que auxilia na evolução e desenvolvimento do sistema como um todo. Ah, e, é claro, há o costume bobo de distribuir cópias para o mundo inteiro de graça, conceito que, às janelas, digo, aos olhos do Windows, é crime, mas para o Ubunto é perfeitamente aceitável e incentivado.

Breves conclusões...

O que me motivou a escrever um pouquinho sobre isso aqui no blog - que raramente, digo, nunca, trata de tecnologia - foi uma discussão - na verdade, várias - a respeito do novo Vista, o fato de ser ele estupidamente pesado e toda discussão em torno, o que acabou por gerar um "link" muito grande na minha mente, um tanto filosófico, de o que realmente significa usar o Windows desde que ganhei meu primeiro computador. Foi quando comecei a entender como um sistema operacional funciona e como existem outros que também funcionam (olha só!), mas que não conhecemos pelo simples fato de sermos domesticados num lema-esquema "Windows desde sempre".
Por causa da pirataria (responda rápido: o seu Windows é original?), empresas, entidades governamentais etc, por causa da fiscalização (será mesmo que há fiscalização?), são obrigadas a pagar pelo produto. Uma empresa que se aventura a usar o Linux, passa a ter um custo maior que do que se utilizasse o Windows (veja que paradoxo!) a partir do momento em que começa a ter de investir numa verdadeira cruzada de cursos e palestras, para desdoutrinar seus funcionários - ou seja, mesmo sendo o pingüim gratuito, acaba compensando pagar pelo Windows e 'ponto final'. Captar essas verdades é cruel. Uma pessoa que não entende de computador, não consegue, por exemplo, usar um programinha de baixar música, não é que não sabe de computador: ela não sabe de Windows! Então, ótimo: vamos deixar à disposição dela algo alternativo para que ela saiba que não é burra nem inútil na frente do computador. Basta boa-vontade.
Fã de alternativas, adoro saber que há algo novo lá fora sendo construído para abalar um pouco as estruturas do predominante, arrebentando as barreiras do convencional. É um sentimento de liberdade de escolha que talvez possa parecer ingênuo, mas que nos confere experiências e idéias à margem dos grandões, que, às vezes, não são tão bonzinhos assim.
Tudo bem: eu não sei nada de SOs, usei pouquíssimo o MacOS - só quando vou a São Paulo e sou obrigada a ficar no computador da maçãzinha, tão lindinho e encantador, mas tão complicadinho - já que na editora predominam os macs (o que me fez descobrir um pczinho num canto jogado às traças e... traçar ele!), uso o XP sem questionar, acho ele bom, mas a realidade é que nem sei, de fato, por que ele é bom (talvez porque não trave?), realmente não decidi se trocarei definitivamente um pelo outro, mas, pelo menos, estou usando, testando e tirando minhas próprias conclusões - o que basta para que eu saiba, enfim, que eu fiz a escolha, e não continuei doutrinada por aquilo que me enfiaram goela abaixo um dia. Afinal, quem são eles, quem eles pensam que são?
  • este post não existiria sem a ajuda do Walter que, definitivamente, fez com que ele acontecesse direitinho e com todas as informações corretas e necessárias - inclusive aprendi com ele tudo sobre Linux e Ubuntu. O parágrago de Filosofia que não é conto de fadas é inteiramente dele.
  • abaixo, imagens do meu desktop nas minhas aventuranças pelo Ubuntu (deixei alguns programinhas abertos, pra poder se notar as diferenças) e o cdzinho de instalação :)

Em clima de Lost - meme da ilha deserta

Achei esse meme nas minhas naveganças pela blogosfera. Felicíssima pela volta do meu seriado predileto e, embalada pelo espírito lostístico, resolvi respondê-lo (e, como sempre, adorei!)

Proposta:
Você vai passar exatamente 1 ano em uma ilha deserta, onde existe uma certa infra-estrutura, mas ela é limitada. Além de você, não haverá mais ninguém na ilha, mas você terá acesso a alguns privilégios limitados. Com isso em mente, seguem as perguntas:

1. Na ilha você terá água à vontade e frutas nativas. Se souber pescar, com sorte vai poder comer um peixe de vez em quando. Fora isso, você terá que escolher apenas um tipo de comida salgada e um tipo de comida doce para comer todos os dias, o ano inteiro (podem ser cruas ou cozidas). Quais você escolhe?

Resposta: Carne de frango e chocolate.

2. Além da água (e, também com sorte, água de côco se você estiver disposto(a) a subir no coqueiro) não há nenhuma outra bebida na ilha, mas você pode também escolher um único tipo de bebida, fria ou quente, alcoólica ou não, para ter à sua disposição ao longo do ano. Qual você escolhe?

Resposta: Vinho tinto suave.

3. Para manter a tradição, você pode também levar um único livro. Que livro você leva?

Resposta: Cem anos de solidão, do Gabriel García Marquez? Acho que seria providencial!

4. Igualmente, você poderá levar um único filme para assistir. Que filme você leva?

Resposta: Paris, Je T'aime - 20 curtas dirigidos por diretores diversos, filmando suas perspectivas sobre o amor, em bairros da magnífica Paris... lindo!

5. Você terá um notebook à sua disposição, mas com um único programa instalado. Mas você não pode usar um programa de comunicação (como email ou mensagens instantâneas). Qual programa teria mais utilidade para você e por quê?

Resposta: O Word? Pra escrever, morreria se não pudesse escrever!

6. Você poderá acessar a internet, mas este acesso é limitado a um único site, o ano todo. (Se você escolher o Google, por exemplo, não poderá navegar para os links dos resultados da sua busca, que estão fora do Google). Também não pode ser seu webmail, Meebo e afins ou sites de notícias (o que elimina os portais). Fora isso, não há restrição nenhuma ao tipo de site, inclusive os que permitem comunicação de outros tipos. A qual site você quer ter acesso por um ano e por que?

Resposta: Se vou poder acessar a internet, pressupõe-se que haverá um segundo programa instalado (um navergador) no notebook além do que eu escolhi, certo? A-ha! Falha no meme detectada. Escolheria o Blogger para poder postar, mas escolho o orkut porque me distrairia mais.

7. Você também poderá ouvir música. Mas, claro, você terá que ouvir a mesma música o ano todo, pois só pode escolher uma. Qual você leva? E se fosse um CD?

Resposta: O Bolero de Ravel. Se fosse um cd, seria um que eu mesma tivesse selecionado e gravado as canções, uma mistura muito grande de todas as que gosto do jazz, blues, bossa nova, mpb e rock (não especificaram como era esse CD, então fugi pela tangente! :P).

8. Você poderá escolher um dia do ano para fazer uma única ligação para uma única pessoa, com quem poderá falar por 10 minutos. Para quem você vai ligar, quando e por quê?

Resposta: Pra minha mãe, no dia do seu aniversário, pra dizer que tô com saudades.

9. Você poderá escolher um programa de TV para assistir ao longo deste ano na ilha - limitado à freqüência de uma vez por semana. Você só não poderá assistir nenhum tipo de noticiário, fora isso não há restrições. Que programa você quer assistir?

Resposta: Da TV aberta ou fechada? Acho que Balanço do século XX- Paradigmas do século XXI, programa da Cultura que me faz pensar.

10. Quando for seu aniversário, você terá direito a receber uma carta de um(a) amigo(a) ou familiar que tenha uma novidade para contar (sobre si próprio ou não). De quem você gostaria de receber a carta e com qual notícia?

Resposta: Do meu irmão, dizendo que que ganhou na loteria!

11. Como não queremos que você transforme uma bola de vôlei no seu melhor amigo imaginário e a única pessoa na ilha será você, você terá direito a levar um animal de estimação para lhe fazer companhia (veja como estou facilitando sua vida!). Que tipo de animal você escolhe e por que? É um animal que você já tenha?

Resposta: Um canino, labrador. Porque ele pode me alertar quanto a perigos da ilha e, quiçá, matar algum predador que tentasse me atacar :P é um animal que eu já tenho, mas o meu é um fox paulistinha fraquinho, tadinho!

12. Do que você acha que sentirá mais falta? (Contato com as pessoas? Tecnologia? Não saber o que está acontecendo no mundo? Etc…)

Resposta: Contato com as pessoas? Nah! 1 ano dá pra aguentar. Tecnologia, com certeza. Não saber o que está acontecendo no mundo? Essa seria a melhor parte! Acho que da minha cama.

13. Por outro lado, o que você acha que será positivo, proveitoso ou benéfico na experiência? Ou divertido?

Resposta: Passar mais tempo em silêncio, apreciando a natureza, caminhando, conhecendo meus limites, me virando sem tecnologia... acho que isso seria benéfico. Divertido? Se tivesse mais alguém comigo daria pra pensar nisso, rs!

14. Por fim, você tem direito a levar 3 outros itens à sua escolha que: a) não entrem em contradição com nenhuma das perguntas anteriores b) não seja algo que você vá usar para sair da ilha, como um barco, por exemplo. O que você vai levar e por quê?

Resposta: Um par tênis ultraconfortável, uma faca bem afiada, um protetor solar de 5 litros fator máximo. O par de tênis é pra poder caminhar muito; a faca é pra preparar a comida e o protetor pra não ter uma insolação.


  • Quem quiser experimentar a Ilha, digo, o meme, sinta-se à vontade. Mas queria que a Gabi - quando voltasse do carnavl - e o Sérgio fizessem, em especial.

Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

o que me fez enxergar

Numa visita a um consultório de oftalmologista, hoje à tarde, presenciei algo estranhamente interessante que me fez rever alguns conceitos e reavaliar certos princípios - tudo bem, não foi algo tão profundo assim, é que escrever com certa emoção deixa o texto mais bonito, enfim - fez-me entender um pouco do que o mundo insinua todos os dias (a mim) e às vezes custo aceitar - e acabo ignorando: o costume cada dia mais arraigado em nós de dedicar grande parte de nossas atividades diárias ao computador, como se viver sem ele, agora, fosse impossível. Enquanto esperava a recepcionista anotar algumas coisas num papel - pro meu namorado, que havia feito a consulta - não pude deixar de perceber uma janelinha alegre e saltitante (mais conhecida como msn - messenger) bem no meio da tela de seu computador, o que, de súbito, me fez pensar algo como "uau, com tantas pessoas pra atender aqui, ela ainda consegue conversar com alguém? será que não tem medo de ser surpreendida pela chefe?" etc. Já fora do consultório, imaginando uma possível explicação para aquilo (posto que não se tratava de uma secretária lá muito nova, pelo contrário, bem madura) virei para ele e comentei "você viu, ela estava no msn!" e tive de ouvir de volta "sim, você viu que legal?" (qual não foi minha estranheza) ao terminar de ouvir a frase "elas se comunicam por msn! assim que terminou a consulta, lá mesmo, de dentro da sala, a médica passou as coordenadas do que deveria ser feito em seguida e a secretária deu um ok". Uh! e eu pensando mal da coitadinha. É claro! Como não havia pensado nisso? Muito mais prático, rápido, fácil do que aquele antigo e inútil toque de telefone infernal cada vez que o médico quisesse alguma coisa - desde uma mãozinha até um cafezinho. O problema é que ainda valorizo o contato pessoal, aquilo de chegar perto e perguntar de mil formas e receber mil respostas, vendo a expressão no rosto da pessoa, aquilo de ouvir "Fernanda, pode vir aqui, por favor?". Enfim, bobagens minhas. Viva a tecnologia ou não, ela já está muito bem inserida em nossas vidas (e os incomodados que se retirem, é o que dizem).

Domingo, 27 de Janeiro de 2008

(meme) consumo cultural

Eis o outro meme a que me referi no último post; foi legal fazê-lo - como já comentei em outra oportunidade, adoro coisas estilo questionário. Sendo assim, Fernanda responde:

1 - Último livro que comprou/leu:
Em termos de compras tá difícil, deixei de comprar livros há algum tempinho - pego mais em bibliotecas ou leio na internet. Vou dividir minha resposta assim: quando vou pra cama dormir, leio Crime e Castigo; quando na sala, leio Deus, um delírio - sendo este o mais perto do final; no pc, leio cuca fundida, do Woody Allen. Li umas 40 páginas de Memórias de minhas putas tristes, do Gabriel García Marquez, mas deixei-o em SP quando retornei, porque não me pertencia (quem sabe um dia me pertença, porque livros da família sempre vão parar na minha estante, não sei porque desse fenômeno tão estranho!)

2. A última vez que foi ao cinema:
Céus, não me lembro :( acho que foi para ver A Lenda de Beowulf? (uma porcaria, a propósito). Mas baixar e ver em casa é mil vezes mais legal! Yes!

3. O último CD que comprou:
Que comprei mesmo, originalzinho, dinheiro saindo do bolso, foi Engenheiros, Dançando no Campo Minado. Mas isso foi há quase 5 anos! Agora, que baixei pela internet, James Morrison - Undiscovered.

4. Um livro que você recomenda a todos:
As cidade invisíveis, do Ítalo Calvino (prometi um post sobre o porquê disso!).

5. Um filme que você adora:
Difícil um só... mas, Fale com ela, do Almodóvar? Acho que merece!

_ _
p.s.: é de praxe passar memes pra 5 outros blogueiros. mas não tenho 5 outros blogueiros. eis uma situação complicada.

Sábado, 26 de Janeiro de 2008

Eu me googleio, e tu, te googleias?

Este meme me foi passado há dias e só ontem fui ver no blog da sempre Gabi. Peço desculpas pela demora em responder! São dois, porque achei ambos interessantes.
Googlar é neologismo criado para explicar o termo trazido do inglês ("to google") que significa pesquisar no Google. Nunca havia parado para pensar num termo que cunhasse o ato de eu digitar palavras no google. Achei bacana e me enchi de curiosidade a respeito dos possíveis resultados para fernanda maia de arruda: essa é a proposta do meme, digitar seu próprio nome na caixinha de busca e dar um belo enter. Vamos a eles:

- 1º -
Blogger: User Profile: Fernanda Maia de Arruda
A-ha! A criatura e seu criador. O primeiro resultado só poderia vir do próprio google, no caso, um de seus afiliados - o blogger.

- 2º e 3º -
[PDF] UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
Resultado de um concurso que prestei há tempos - técnico em biblioteconomia - na UNESP de Franca - fiquei em 12º posição após um teste bizarro de psicologia.

- 4º - Crônicas de Biblioteca
Um post meu no outro blog que escrevia junto com o Walter. A idéia inicial era escrever sobre o ambiente da biblioteca e as coisas estranhíssimas que acontecem no cotidiano dela, mas acabamos abandonando-o; eu ressucitei o meu antigo Infinita neste Lavinciesca e vivi feliz para sempre; deixei a responsabilidade de atualizaçãoes no outro mais para ele - que não escreve por pura preguiça.

- 5º - Crônicas de Biblioteca: Mindlin, educação e leitura
Outro post, também do Crônicas, da época em que fazia revisão editorial numa revista de bairro em SP (Villa Marianna). Uma entrevista com José Mindlin me inspirou.

- 6º - Lavinciesca: o7 coisas
Post aqui desse blog mesmo. :)

- 7º, 8º, 10º e 13º - ius communicatio
Comentários recorrentes feitos no blog que adoro e mais visito, da Gabriela Zago, que, por sinal, me passou este meme!

- 9º - Verne Brasil - Ler Guest Book
Comentário meu antigo no site sobre o escritor Júlio Verne feito por um amigo - Filipe Chamy.

- 11º - -¦:- InFinita -:¦-
Meu primeiro blog, hospedado no weblogger. Há coisas escritas lá do ano de 2002, quando estava no 2º colegial...são memórias gostosas de se ler, motivo pelo qual não o deletei.

- 12º - Mas até eu....: Pérolas do Orkut
Comentário bem recente num blog que descobri há pouco (muito bom, por sinal!).

- 14º - [DOC] ((NG))Aviso de 21/11/2005
Resultado de um conurso que prestei no final de 2006 para estagiar para o Ministério Público em Franca. Fui admita na primeira fase, mas na segunda fiquei para trás.

p.s.: acabei fazendo diferentre da Gabi e digitei fernanda maia de arruda entre aspas, o que filtrou os resultados para apenas o termo digitado inteiro e junto, não esparso. Percebi que digitar só fernanda seria suicídio - umas trocentas páginas de fernandas que, definitivamente, não são eu :P

Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

O que cabe num Almodóvar

Há filmes que, quando assistimos, nos perguntamos como conseguimos viver até esse dia sem ele em nossas vidas. Alguns simplesmente por ainda não terem sido filmados, outros por negligência nossa. Já li muito sobre o amor, mas hoje, assistindo esse filme, consegui concretizá-lo em minha mente. Nunca imaginaria um enredo tão marcante, tão tocante, tão rico em sensibilidade, tão generoso em minúcias, tão prazeroso de se ver. A vida é calma, a vida é leve, as horas não passam exageradas e desajeitadas como de costume quando se ama, quando se encontra um norte na vida, ele diz, quando encontramos dentro de nós um sentido para a existência, mesmo sendo esse um sentido que, aos olhos de outros, parece loucura. Filmes assim me deixam louca! Não há trote, não nos sentimos burros ao assistí-lo, não nos flagramos no meio dele questionando ser melhor "dar uma voltada para entender aquela parte". Filmes assim se desenrolam como sedas, suaves, simplesmente, refrescantes para a alma, o corpo e a emoção. Dois homens que amam, dois acidentes implacáveis, duas mulheres em coma que, em seus silêncios, falam, fazendo desse silêncio mais vida do que morte ao redor de si mesmas. Um enfermeiro nos ensina o que é amar, dedicando seu tempo à esperança de que um milagre aconteça. A relação construída entre o homem apaixonado e a mulher amada em coma desafia os limites do bom-senso (ou seria do senso comum?) e, regada à devaneios eróticos da arte do cinema mudo preto e branco, um filme dentro do filme, leva o amor às últimas circunstâncias, culminando num julgamento moral e numa tragédia repleta de sobriedade. A amizade entre os dois homens distintos, que vêm seus caminhos cruzados em face de suas situações semelhantes, nos é mostrada como pano de fundo revelando o perigo das omissões - qual o limite entre ajudar e destruir alguém. A múscia embeleza ainda mais as cenas, dando o tom especial nosso Caetano Veloso, com sua voz divina, divina, divina. A tourada nos situa nas vibrações da película espanhola. Fale com ela é explorar os arredores do amor, da psiquê, do absurdo. Tudo isso cabe num Almodóvar, que meus olhos se deliciaram em ver com o gosto da primeira vez.

Ler também: meu primeiro Almodóvar

Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008

minha avó não gosta de janelas

Perco as contas de quantas vezes minha avó fecha as janelas, no medo iminente das chuvas que acabam nunca vindo, na verdade. É de fato curioso isso dela com as janelas. Deixe elas abertas, vó, eu digo, não vai chover agora não.
Mas ela continua com a preocupação das janelas. É acinzentar o tempo um pouquinho e lá se vai o ar da casa, pra mim, que sou meio claustrofóbica, e uma viagem toda de alguém pelos cômodos preocupando-se com cada fresta, aberta, claro. Que deixem as frestas, as janelas arreganhadas, pois assim os medos vão embora, o vento das boas novas entram junto com respingos d'água. Pois eu amo as janelas e assim é a vida, não se deve obstruir o que se vem de fora, nosso aquidentro já é farto em ser por demais solitário.

Deixe-nas abertas, vó.

nostalgiar

...o hálito morno de uma tarde de verão
percorrendo lentamente a casa inteira (...)


Tardes assim, tranqüilas, me dão medo de não viver mais tardes assim, tranqüilas.

O tempo roubando partes preciosas de nós mesmos, compromissos bobos que a vida adulta traz, trabalhar, estudar, é o que nos resta numa vida inteira...

É ao nos depararmos, um belo dia, com a pessoa que fica quando saímos de casa, que nos damos conta do quanto da gente fica para trás, uma boa quantidade de sonhos que deixamos presos no armário embutido - ficam lá eles, embutidos também, quase partes integrantes de um móvel da casa. Há 4, 5 anos, sabe-se lá o que signifca isso... adorava ler sentada no chão do corredor do meu quintal, 2 horas da tarde, sol batendo nas pernas, cachorro querendo deitar no colo, no lugar do livro, abocanhando a caneta, saindo correndo com marcador de página que voltava todo babado. Sentar no quintal depois do colégio foi algo que fiz durante anos... e depois disso, durante anos mal voltei ao meu jardim, mal brinquei com meu cachorro - que hoje já nem mais o mesmo é... mal abri meus livros, mal sei mais como é o corredor. Depois que saímos de casa, hora certa de ir, hora certa pra voltar, obrigações de faculdade, compromissos de trabalho, vamos vendo se criar uma vida paralela àquela que tivemos, um dia, quando não fazíamos "nada", e só este nada nos proporcionava um tudo... indispensável para a alma.

Sábado, 15 de Setembro de 2007

Ler na Tela

Eis algo que nunca me entusiasmou muito: ler livros na tela do computador - felizmente o momento em que nasci ainda engatinhava com o lançamento do personal computer e pude aprender a ler em livros, não mal e porcamente num computador - o que enraizou ainda mais em mim a desconfortável sensação de ler sem se ter o objeto em si [livro] nas mãos. Mas tudo bem, não vou começar a reclamar feito velha rabujenta que só se orgulha do antigo e detesta o novo- muito embora isso seja, em muitos aspectos, verdade - e, no intutito de não querer prolongar demais este post, que está nascendo bem mais por necessidade de escrever sobre algo que gosto (ou desvirtuaram também a proposta original do diário virtual?) - venho dizer que me vi obrigada a adotar tal prática - de leitura em tela - depois de perceber a quantidade infindável de obras escaneadas disponibilizadas todos os dias na internet. Claro que há muito descobri isso, mas sempre me virei aqui e ali arranjando o que queria em sebos ou bibliotecas e evitando ao máximo baixá-los - o problema é quando apelam: jamais encontraria, por exemplo, um título Jung e a Mediunidade facilmente zanzando por aí em qualquer acervo, algo que aconteceu quando, num belo dia, procurava eu obras de Carl Jung digitalizadas. Chega a ser covardia querer comparar as seguintes situações: um autor lança um livro sobre exatamente aquilo que você quer, 1 ou 2 pessoas compram e guardam pra si; várias almas sensíveis e de bom coração pegam várias obras e a escaneiam para milhões de usuários da internet :P Não é preciso passar pela questão básica do preço covarde dos livros, além de, é claro, pelo fato de nem sempre termos a intenção de comprar.
Minha ainda minúscula e irrisória estante é feita basicamente de livros oriundos de sebos - 3 ótimos de São Paulo: Messias, da Praça João Mendes (clássico), um que fica numa galeria em frente ao terminal da Estação Ana Rosa, e outro menor, no Brooklin, d'onde ganhei meu xodó - uma edição [nem tão] antiga de Crime e Castigo, de uma Editora portuguesa: Progredior (na última página está escrito "acabou de se imprimir aos 15 de Novembro de 1954 na Av. de Rodrigues de Freitas - Porto). Foi mesmo em sebos que desabrochou em mim a paixão por livros antigos, amarelados e caindo aos pedaços: comprá-los era pra mim como salvar a vida de um cachorrinho morrendo. É muito bom folhear algo que já passou por muitos mãos antes das minhas, fico imaginando o que eles pensavam enquanto liam aquela página, aquela frase, por que há um leve risco a lápis grifando aquele parágrafo, uma orelha, um marcador naquela página... e por aí vai. Aliás, cresce minha coleção de marcadores de páginas, sou louca por eles. Lembro que num dos primeiros livros de sebo que comprei veio um: era branco (amarelado) escrito "Eu (coração desenhado) ler", da Siciliano. Enfim, são energias deixadas lá que agora estão comigo.
Há um site incrível que considero como uma verdadeira biblioteca virtual, aqui
. É o PDL (Projeto Democratização da Leitura) que mantém atualizações de muita qualidade sobre tudo que se possa imaginar, no formatinho básico de rar ou zip, em pdf ou doc - desde últimos lançamentos até clássicos; cursos, apostilas, informática, religião, científicos, literatura estrangeira e nacional, HQs etc. Sei que a muitos este site não é novidade, mas nunca se sabe... pode ser que essa informação sirva de ajuda a algum paraquedista que caia neste blog e ainda desconheça maravilhas como essa. Pra quem odeia o Adobe Reader, acha ele pesadão como eu achava, usa-o mesmo só para ler e não precisa de muitas funções, tem um programinha ótemo que o substitui (muito bem) - o Foxit, tem apenas 2 míseros meguinhas e faz um índice muito útil do lado esquerdo, o que possibilita pular de uma página à outra sem grandes dificuldades enquanto se lê.
Pra terminar, comento sobre o print screen que coloquei aqui: a razão pela qual passarei muitas horas lendo na tela enquanto não puder comprar todos os livros desse autor maravilhoso de As Cidades Invisíveis (que virá, ainda, em forma de post se autoexplicar como um dos melhores livros que Fernanda já leu :D )

Sábado, 18 de Agosto de 2007

bureaucratie

Para começar meu post, necessário se faz, antes, escrever a definição de burro no tocante à sua origem etimológica. Burrus em latim siginifica vermelho ou pardo-avermelhado, o que, de início, nada tem a ver com o que pretendo discorrer. Mas contam uma estorinha de que antigamente os dicionários tinham capa vermelha, o que ligou a idéia de pouco inteligente àqueles que liam o livro para saciarem sua sede de conhecimento. A cor avermelhada, ainda segundo o que li, trazia a sensação de escuridão e tristeza, que originou a palavra bure para o tipo de tecido que cobria as mesinhas dos escritórios públicos. Daí surgiu bureau para definir as próprias mesas e, depois, o escritório em si. Ufa, até aqui foi uma estória e tanto (fico encantada - e assustada - quando pesquiso origens de palavras!). Mas não acabou, devem ter achado a cor, a toalha, a mesinha, o escritório muito interessantes. Não satisfeito, um ministro francês do século XVIII (18) cunhou o termo bureaucratie para se referir, de um modo debochado, à todas as repartições públicas: bureau (escritório) + krátos (poder) = exercício do poder público mediante escritórios.

Estamos todos numa ilha cercada por todos os lados por uma lama chamada burocracia*. Principalmente no setor público, mas também no privado, tudo aquilo que existir de mais constrangedor e inibitório para obstruir seu acesso a um direito - seja ele de informação, esclarecimento, aquisição - estará ali te esperando, como um montro que engole sua cabeça e corrói seu estado de espírito no intuito de fazê-lo desistir.

É com isso que lido todos os dias, e vendo os dois lados da moeda. Se sou eu quem atendo, não posso ultrapassar as regras que me são impostas: xerocópia disso, daquilo, documento x, documento y, documento que não depende da pessoa, documento que deve ser emitido por um outro órgão público para atestar algo que nem eu, nem a pessoa, sabemos para que finalidade existe, mas que existe e deve estar ali presente imprescindivelmente. É claro que, depois de 3 horas na fila, sem almoço, com um filho berrando no colo, com contas atrasadas, com os nervos à flor da pele, toda a energia acumulada é derramada sobre nós. E eu não os tiro a razão (tiro de alguns, tudo bem), pois somos nós, agentes públicos - sendo eu uma agente-ajudante que também faz tudo mas ganha menos, hehe - os monstros-marionetes do grande monstro que é o Estado. A burocracia em si não diz respeito apenas à papelada, ao preenchimento de cadastros no sistema computadorizado, mas dentro mesmo da própria organização interna do órgão que, verticalizada, coloca no topo os que ganham muito e não fazem nada, só mandam fazer, relegando os que trabalham, ou tentam trabalhar, colocar em prática os serviços, atender o público, ainda que amarrados à cordas de aço, no plano mais baixo, no térreo, se não abaixo do térreo, o que impede uma comunicação aos superiores dos problemas que acontecem aqui, no esgoto, no submundo. Ocorre que, em qualquer lugar, num órgão público ou num estabelecimento privado, raramente as pessoas que ocupam os altos cargos, chefes, coordenadores, supervisores, sabem das reais necessidades dos setores, por um motivo muito simples: dificilmente permanecem neles por mais de 5 minutos por semana, e isso quando ficam.
Falta informação até mesmo para nós que estamos atendendo e que, em teoria, deveríamos saber bem para atender bem. O fato é: desde que entrei no Ministério do Trabalho, há 5 meses, não consegui ainda chegar a uma conclusão sólida de pra que serve o seguro-desemprego e se ele é realmente algo bom para todos os desempregados. É um paliativo que nem pra ser paliativo serve: se a pessoa foi mandada embora hoje, deve preparar-se psicologicamente não só para o fato de estar na rua, sem recursos para sustentar a si e a sua família, mas também para as dores de cabeça caso seu seguro não dê certo por algum motivo - e esse motivo pode ser dos mais idiotas: uma letra errada no nome da sua mãe, a troca do número do pis que requererá mais um papel inútil, que vai demandar pelo menos mais um dia inteiro na fila de outro órgão em busca de um agendamento, para só assim ela estar com o papel tããão importante em mãos, voltar no Ministério, pegar outra fila, explicar pra nós, que já esquecemos do seu caso, posto que atendemos outras 150 pessoas com o mesmo problema, algo que nem a pessoa sabe por que aconteceu, e algo que nem sempre o sistema computadorizado já atualizou no cadastro da pessoa. Colocamos aí os 45 dias que a pessoa aguardou, tentou sacar a parcela, não conseguiu, veio até nós, foi a outro órgão, voltou, mais 15 a 20 dias para, a partir de teoricamente sanado o problema, a pessoa receber a primeira "ajuda" do governo: vamos supor que a pessoa recebia 1 salário-mínimo: R$ 380,00. O valor da parcela do seguro-desemprego, estipulado pelo governo, garantido constitucionalmente pelo Cap. II, "Dos Direito Sociais", Art. 7º, inc. II, é de 80% do valor do último salário recebido, do último mês empregado. Ou seja, essa pessoa receberá R$ 304,00, e se tiver trabalhado menos de 1 ano, apenas 3 parcelas desses R$ 304,00. Me pergunto: o que um pai/mãe de família faz com R$ 912,00 quando se está desempregado e com filhos?
Muito além disso tudo, é preciso muito psicológico também para nós, que atendemos. Vejo a cadeira do outro lado da bureau (a mesa de repartição pública francesa!) transformar-se, muitas vezes, em divã de psicanalista: muitos querem conversar, falar de suas vidas, reclamar, desabafar, da falta de emprego, de quanto tempo teve de esperar, de quantos ônibus ainda deve pegar pra chegar em casa (não é que Franca seja grande: aqui a tarifa da única empresa de ônibus é R$2,10, para um percurso de no máximo 30 minutos bairro-centro ou centro-bairro, um ABSURDO que o poder público concede à iniciativa privada sem o mínimo de fiscalização, uma extorsão que a cidade sofre todos os anos calada). É preciso psicológico também para agüentar, dentro do próprio setor, a falta de respeito de alguns funcionários para com o público, a má vontade, a omissão de informação, que é dever do funcionário público dar até que não reste dúvidas, os erros grotescos que cometem, o desrespeito com os mais velhos, que têm preferência na fila, enfim, a falta de noção de administração pública e de respeito à coisa pública. Muitas vezes me pergunto se aguentar funcionários mal-humorados não é pior do que atender 150 pessoas numa tarde.

{ Por tudo isso, é um incentivo enorme saber que meu chefe e a funcionária do setor tirarão férias juntos, na mesma época, e que o seguro-desemprego será deixado nas mãos das duas únicas estagiárias do setor de emprego. O detalhe é que, como certamente colocarão alguém lá pra nos ajudar, restam 1 ou 2 funcionários de outros setores que raramente lidam com sd. O outro detalhe é que só restamos nós que temos experiência com sd. Não é à toa que abandonei o blog, não é à toa que abandonei a mim mesma e estou tão elétrica que ando levando choque na porta do